Convidados do Bem #4 – Tainá Rodrigues

A Convidada do Bem de hoje é Tainá, uma publicitária mochileira que conhecemos logo nos primeiros meses do Bem Trilhado. Além de admirarmos muito seu trabalho, sentimos empatia com sua história e os vários detalhes parecidos com a nossa própria. Com vocês, Tainá Rodrigues, do Calle América!

Ela é alagoana e seguia sua carreira de publicitária em São Paulo, mas desviou o rumo para ganhar mais significado no trabalho e na vida. Ela e Marcelo – o marido dela, também publicitário e mochileiro – estavam no início do namoro quando ela deu a ideia de fazer um mochilão social.

De onde veio esse impulso?

“Como a vontade de fazer algo pelas pessoas era mútua, entendemos que viajar apenas por viajar era pouco pra gente. Queríamos uma mudança maior, uma mudança de vida, e não simplesmente sair pelo mundo e depois ter que voltar para as agências que trabalhávamos. Pensamos no que poderíamos fazer e então surgiu a ideia de voluntariar em todos os países que passássemos. Juntamos grana por 2 anos antes do projeto sair do papel.”

post tainá

Aí a gente presume que tendo estes 2 anos de planejamento, a viagem seria bem mais fácil, certo? Errado, rs. 🙂

Conta pra gente alguns dos ‘perrengues’? 

Quando nós decidimos viajar, não existia muita informação a respeito, não tinha essa onda de gente saindo por aí pra viajar como tem hoje em dia. Nós não tínhamos ideia do que iríamos encontrar no caminho. Primeiro achávamos que era possível trocar trabalho por casa e comida. Logo de cara percebemos o quão difícil é acontecer essa troca. Depois achávamos que por estarmos trabalhando sem remuneração muitas portas de abririam, doce ilusão. Não é tão fácil assim.”

post tainá c

E qual foi o maior choque da viagem?

É difícil dizer apenas um choque. Cada lugar tem sua história, cada trabalho que realizamos tem seu diferencial. Não tem como eu dizer que foi mais difícil ver de perto a desnutrição de crianças na Argentina e entender que desnutrição está muito longe de ser aquela que vemos em documentários africanos, e sim mais relacionada com a falta de informação dos pais em saber que bolacha e salgadinho não são alimentos; do que ver a dificuldade das crianças na Bolívia que precisam pegar carona em um caminhão para poder chegar na escola. Cada projeto, cada vídeo, cada dia trabalhado teve seu peso, sua responsabilidade e seu aprendizado. Todos eles estão me levando a aprender e tentar ser a melhor versão de mim mesma.”

post tai macaco

E apesar da tristeza inerente à tomada de consciência dos diversos problemas – porque é impossível não se questionar, não se abalar – , a experiência é linda e faz com que os mochileiros não queiram parar – assim é com o Bem Trilhado e assim é com o Calle América. Se você ainda está na dúvida do que eles fazem, olha que coisa mais linda: eles criaram uma Produtora Social. Assim, eles usam sua habilidade profissional em vídeos (de alta qualidade) para documentar os trabalhos das ONGs em diversas cidades da América Latina (inclusive Brasil, claro).

Sempre foi assim?

“No começo, a ideia era trabalhar com qualquer tipo de atividade que as ONG’s estivessem precisando de uma mão. Com o passar do tempo, percebemos que oferecer algo mais concreto em troca nos abria mais portas e foi assim que a viagem foi por si só tomando forma e o Calle América se tornou a produtora social que é hoje.”

post tai soobee

Que mensagem vocês dariam a quem quer fazer um mochilão social também?

É uma oportunidade incrível, não me arrependo nenhum momento da escolha de vida que fiz. Você vai se envolver com pessoas queridas. Normalmente elas são a base da pirâmide, isso faz com que elas sejam receptivas, abertas ao que vem de fora. Te recebem com sorriso no rosto e braços abertos. Você vai perceber que os problemas sociais são muito similares aos que temos no Brasil, vai se identificar com muitos deles. Vale a pena, mas é uma decisão que precisa de planejamento, investigação e de não ter medo de levar não. Se você está começando é melhor sair do Brasil com alguma coisa certa. Ir direto pra alguma organização que você sabe que recebe voluntário com freqüência e que vai ter um lugar pra você.”

E também precisa ter flexibilidade para lidar com as situações adversas, não é?

Teve de tudo! A cozinha da primeira casa que moramos que era visitada por ratos durante a madrugada. Criança que se apaixonou por mim ao ponto de querer bater no Marcelo. Teve diarreia no meio no Salar do Uyuni. Teve ataque de um carneiro em El Chaltén. Ônibus quebrado na estrada. Noite congelante dormindo em um caminhão na Patagônia. Horas jogando dominó em rodoviária pra poder dar a hora de entrada no hostel.”

E Tai  deu até um presente pra os leitores do Bem Trilhado: um resumo de alguns dos projetos em que eles trabalharam. ❤ Não é uma fofa? Se liga nas dicas:

Uruguai: trabalhamos em 2 organizações:

CEPRODIH – ONG que ajuda mulheres em situação de risco a dar uma volta da vida. Oferece cursos profissionalizantes de Serigrafia, Cabeleireiro, Artesanato, Vitrofusão, etc. Ajudamos na organização de um evento que as alunas da Oficina de Vitrofusão iriam participar.

El Abrojo – É uma das organizações mais conhecidas do Uruguai. Trabalham com crianças e adolescentes das periferias de Montevideo. Trabalhamos no Projeto Repique, uma casa de cultura onde as crianças iam antes ou depois da escola regular e tinham aulas de música, artes, etc.

post tai

Argentina: trabalhamos em 4 organizações:

Fundação Zaldivar – É a parte social da clínica Zaldivar, uma das clínicas oftalmológicas mais reconhecidas da Argentina. Trabalhamos em uma Ação Social de 2 dias realizada no interior de Mendoza. Nesta ação estavam presentes outras organizações também relacionadas a saúde. Foram atendidas mais de 700 pessoas em 2 dias de ação.

Fundação Conin – Fundação de combate a desnutrição. Trabalhamos por uma semana ajudando as professoras nas tarefas diárias com alunos de 1 a 5 anos.

Circo Família Von Perez – Circo itinerante que oferece oficinas gratuitas para crianças de zonas periféricas de algumas cidades argentinas. Como eu já tinha feito aulas de circo, dei aula de tecido para as crianças e o Má ajudou nas oficinas de trampolim e acrobacias. Foi um dos projetos mais incríveis que conhecemos em toda a viagem.

post tai circo

Huerta de Vida – É uma pequena fazenda de permacultura que aceita voluntários em troca de comida e alojamento. Trabalhamos desde as funções mais básicas como fazer a comida de todos os voluntários e moradores, até mexer na horta, colher maçãs, tosar ovelhas, colocá-las para pastar. Construímos também uma área para os patos apenas com materiais naturais como galhos e folhas, chamamos de Patolândia. rs

Chiletrabalhamos em apenas 1 organização, em 3 locais diferentes

Foi no Chile que o Calle América começou a tomar novos rumos. Conhecemos a Travolution, organização que ajuda pequenos povoados a desenvolverem sua oferta de turismo comunitário. Tivemos a oportunidade de criar vídeos para 2 comunidades indígenas uma Mapuche e uma Atacamenha e uma antiga vila de pescadores que hoje trabalha exclusivamente com alistamento de baleias, golfinhos e pinguins.

Bolívia – Trabalhamos em uma organização que implementa bibliotecas na zona rural de Sucre, chamada Biblioworks. Todas as manhãs acordávamos bem cedo para pegar o ônibus e acompanhar as técnicas na visita das Bibliotecas. Alguns lugares são tão remotos que além do ônibus tínhamos que pegar carona em um caminhão para poder chegar. Era incrível ver a alegria das crianças quando chegávamos para mais um dia de atividades e leitura. Desenvolvemos um vídeo institucional contando um pouco sobre a história da organização.

Peru – Trabalhamos em uma ong chamada Ciudad Saludable. Eles intercedem em pró dos recicladores informais e os ajudam a organizar-se em cooperativas saindo da ilegalidade. Nosso trabalho foi conhecer diversas cooperativas, em diferentes regiões de Lima, acompanhando o dia a dia dos recicladores e a partir daí criamos 2 vídeos de conscientização da população em relação à reciclagem.

post tai amaz

Brasil – Nosso último trabalho foi na Amazônia brasileira, local que queríamos muito conhecer. Passamos 4 meses no Pará e trabalhamos com duas organizações. Uma chamada CSCA (Centro de Solidariedade da Criança e do Adolescente) na periferia de Belém. Criamos 2 vídeos pra eles. Um contanto um pouco sobre os trabalhos de incentivo ao esporte e a cultura que a ONG oferece para as crianças e adolescentes da região e outro mostrando como foi a participação dos alunos da ONG no maior festival de dança do estado.
Também desenvolvemos vídeos para cooperativa chamada Turiarte, Turismo e Artesanato da Floresta. Foram 3 vídeos, um em cada comunidade ribeirinha que visitamos. Duas delas trabalham com turismo comunitário e a terceira com artesanato.

É isso, pessoal, espero que tenham aproveitado as dicas de Tainá. Ela e Marcelo continuam os trabalhos, e dá pra acompanhar tudo pelo canal de sua preferência: página no Facebook, Site e Youtube.

 

Veja AQUI todos os #Convidados do Bem

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