Evento Ser Voluntário – “Ser es la cuestión”

O evento abordou o voluntariado em três frentes: corporativo, internacional e universitário. Fizemos parte desse momento compartilhando nossas experiências e relatos do caminho já percorrido como voluntários. O resultado foi uma instigante discussão sobre a temática, trazendo novas visões, estratégias e soluções.

Corporación Por un Sueño – Voluntariado corporativo

A mesa de debate começou com Daniel Ramírez, fundador da Corporación Por un Sueño, que trabalha com crianças e adolescentes de 7 a 16 anos possibilitando reforço escolar, artes, dança e música. É oferecido, também, um acompanhamento psicológico aos alunos que o necessecitam.

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Além do trabalho realizado diretamente com as crianças, Daniel também presta um seviço de capacitação de voluntários para empresas e cria projetos e ações direcionadas para a responsabilidade social corporativa.

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“Me encanta muito, muito a arte. Eu digo que nunca mudaria” – Luisa Fernanda – criança que participa dos projetos da Corporación Por un Sueño.

Neste contexto apresentou pontos positivos e resultados obtidos através da implantação do voluntariado no âmbito profissional.

bem trilhado – VOLUNTARIADO Internacional

Depois foi nossa vez de contar todos os detalhes do nosso projeto de mochilão social ou volunturismo. (fizemos aqui uma matéria sobre o tema). Explicamos o que é o Bem trilhado e as nossas ações já realizadas, além de aprofundar abordando as visões e comportamentos de voluntários e instituições.

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Para o voluntário:

É essencial ter em conta a responsabilidade, real interesse e compromisso em assumir alguma atividade junto a uma intituição. Cumprir e ter verdade no que está fazendo é um fator primordial para se envolver com trabalhos sociais.

Existem muitos programas para voluntariado internacional que priorizam a quantidade em detrimento da qualidade das pessoas que estão aderiando ao programa. Os resultados são faltas constantes, descompromisso e pouco impacto transformador para a instituição.

Por outro lado, pessoas que buscam este tipo de programa pensando apenas em viajar e conhecer outros lugares, se frustram com a demanda e tipo de tarefas que a eles são destinadas.

Claro que não podemos generalizar e, sim, existem pessoas com boas intenções e ideias que aplicam ao voluntariado internacional através dos programas citados.

Porém, os maus voluntários acabam por criar um fenômeno de precaução das instituições sobre o real interesse solidário e desvirtuam aqueles que realmente desejam doar seu tempo e compartilhar seus conhecimentos.

PARA INSTITUIÇÕES / ONGs:

Muitas instituições já impõem regras, limites de tempo e tarefas pré-determinadas. Algumas outras seguem se beneficiando desses muitos programas pela facilidade proporcionada pelas empresas que cuidam do processo.

Sobre a postura das instituições, pontuamos algumas que trocamos e-mails e percebemos que, na realidade, querem lucrar com atividades disfarçadas de sociais. Por exemplo, uma fazenda orgânica da Costa Rica que estabelece ao voluntário um depósito de $100,00 como garantia. Porém esse depósito é feito através do botão “doar”, o que nos deixou incrédulos de se realmente receberíamos de volta essa quantia.

Além disso, os mesmos cobram $50 dólares por pessoa (por semana) para alimentação e o mínimo permitido é 1 mês (ou seja $200 / pessoa). Isso sem contar todos os gastos que o voluntário deve arcar para chegar até a fazenda.

Como já dissemos no blog, não somos contra taxas razoáveis para manutenção dos projetos, porém exemplos citados demonstram a total vontade de fazer do “bem” um negócio.

Convidamos para uma reflexão – a fazenda precisa de voluntários para crescer e gerar recursos. Esses mesmos, além de doar o tempo e energia, irão pagar $400 para trabalhar. Vamos combinar que com esse valor é possível fazer várias ações sociais.

Custear as próprias despesas de alimentação e deslocamento, tudo bem, mas pagar para trabalhar está além do nosso entendimento.

A conclusão é que se deve pesquisar com profundidade para distinguir quem realmente realiza bonitos trabalhos socias e necessita de uma ajuda. Durante nossos 4 primeiros meses de viagem, já tivemos a oportunidade de conhecer bastantes iniciativas sustentáveis e criativas em prol de causas importantes.

barrio u – VOLUNTARIADO universitário

O projeto Barrio U é uma iniciativa estudantil que conta com a participação de vários universitários dos mais variados cursos – professores e ingressantes. A proposta do projeto é gerar uma interação com comunidades, desenvolvendo e promovendo diversas atividades, diálogos e propostas de melhoramento do contexto social.

Baseado no conceito de responsabilidade universitária, propõe-se a desenvolver um projeto anual, que abrange igualmente a formação e fortalecimento interno, através de palestras, debates e visitas de estudo no qual propõe também, por meio de feedbacks, treinamento para grupos interessados em desenvolver os seus níveis de comunicação entre os seus membros e outros grupos sociais.

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O grupo tem como objetivo desenvolver e aflorar a importância e papel que cada um exerce na sociedade através do trabalho voluntário. Além de estimular estudantes a aplicar  conhecimentos e habilidades adquiridos durante o curso para fins sociais.

Conclusão do ser voluntário

Mesmo que cada frente de atuação tenha suas especificidades, muitos pontos em comum foram debatidos com o público, desenvolvendo assim, pensamentos  interessantes e abragentes sobre o tema. Listamos abaixo:

Assistencialismo

Embora seja um tema amplo e delicado, as medidas fortes de assistencialismo foram consideradas ineficientes para o desenvolvimento de comunidades e indivíduos a largo prazo. Traduzindo: doar dinheiro e/ou ofertar valores ou bens mensais apenas por pertencer a determinada condição econômica.

Contrapondo isso, levantou-se a necessidade de mais projetos e ações que buscam um trabalho duradouro de entendimento e transformação do contexto social em questão.  Por exemplo, implementar medidas que estimulem crianças, adolecentes e adultos a se envolverem com atividades de capacitação em cultivo, costura, computação, oficinas de arte, música, leitura ou qualquer outra medida sustentável que gere oportunidades aos menos favorecidos.

Em outras palavras, focar em trabalhos de auto-estima e empoderamento do ser, criando o pensamento de que mesmo em realidades difícies, todos são capazes de alcançar um objetivo. Assim é possível gerar um avanço e mudanças gradativa.

Um dos depoimentos dados por uma participante foi intrigante: “Muitas vezes as crianças de comunidades carentes que vêem algum projeto social já pensam que vão ganhar alguma coisa. Ou seja, creem que pelo simples fato de pertecerem àquela realidade, pessoas e iniciativas tem a obrigação de lhes dar coisas de mão beijada.”

Outra complementou com um relato vivido: “Certa vez quando fui fazer parte de um projeto social, uma criança se aproximou e perguntou se teria lanche, como sendo uma condição para participar.”

Construiu-se então um raciocínio perigoso ocasionado pelo forte assistencialismo: primeiro, que as crianças vão crescer com a ideia de que sempre devem ganhar coisas devido à sua origem humilde e, no futuro, quando isso não acontecer, a frustração será maior. O segundo pronto é o inverso: um jovem de 16 anos pode ficar com autoestima extremamente abalada sentindo-se à margem pensando ser incapaz de conquistas por esforços próprios.

Benefícios diretos do voluntariado

Para o setor corporativo, o benefício vem em proporcionar um momento, que em alguns casos é o primeiro, de contato com atividades sociais. Além de estimular a prática, gera uma boa interação entre os funcionários e reforça o significado de fazer parte da empresa. Ainda agrega valor de responsabilidade social à marca que implementa tais atividades.

O voluntariado internacional proporciona o intercâmbio de habilidades, conhecimentos e práticas de impacto social. Para os voluntários, é uma ótima oportunidade de emergir na cultura local e aprender com histórias e contextos variados. O benefício também vai para instituições que recebem aporte profissional, conhecimento e manejo de situações que já foram implementadas em outro lugar e deram resultados. Isso gera um desenvolvimento fantástico.

No setor acadêmico, o voluntariado pode assumir importante papel para a sociedade e ser, também, um agente transformador para o aluno. Reforça como sua futura profissão tem impacto no coletivo e, ainda, funciona como prática dos conhecimentos vistos em sala de aula. Este contato dá maior sentido e amplia o espectro para direcionar projetos acadêmicos com fins sociais. Ou seja, conduz para um cenário mais comunitário e menos mercadológico.

Valorização de iniciativas

Muitas vezes, um projeto está muito bem elaborado no papel, porém percebe-se na prática que não há expresivo envolvimento e continuidade com os beneficiados. Isso porque, em alguns casos, são ofertados numerosos programas em uma comunidade sem muitos requisitos para participação. Dessa forma, os próprios beneficiados não enxergam sua importância e valor.

É preciso criar alternativas para engajá-los, criar metas que podem ser uma exposição do trabalho, apresentação em público de seu talento ou estimular que é possível torna-se um profissional no que está sendo ensinado. Ou ainda, oferecer etapas de um projeto em que só ganhará quem se mantiver comprometido e participativo.


Esses são alguns pensamentos criados de maneira colaborativa através do debate realizado no dia 09 de Dezembro de 2015. Caso tenha interesse no assunto e quiser acrescentar ou deixar um depoimento, fica à vontade para usar o espaço destinado aos comentários!

Acreditamos que para mudar realidades é preciso unir ideais.

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