Veja o resultado de quando se trabalha com amor – Bem trilhado em: Heróis de Darién

Agora que já contamos um pouco da atividade na selva panamenha, temos que apresentar para vocês quem são as pessoas que levam nutrição, educação e diversão a mais de 9,500 crianças darienitas. Eles são pessoas comuns, mas o trabalho que realizam vai além da boa vontade – eles são verdadeiros heróis, que percorrem terra e água para chegar a quem precisa.

 

Para te contextualizar melhor, é preciso mostrar o mapa do Darien: estrada de asfalto mesmo é uma só, e termina antes da metade do estado. Fora isso, há rotas de barco ou canoa por rios e mar, e também estradinhas de terra. A Fundação Pro Niños de Darien, ao longo de seus 25 anos de fundação, conta com uma estrutura de 3 carros de tração que levam os donativos e transportam a equipe, além de um barco próprio.

Estrada esburacada - Sambú

O acesso às escolas e comunidades que o projeto atende é bem complicado. Se você estiver confuso com o que é afinal que eles fazem, deixa eu tentar resumir: notando que a água no estado não é potável e que pela pobreza havia muita mortalidade infantil, por iniciativa de um padre em 1990 se criou a fundação. Mas ela não é uma escola: é um apoio às escolas. A Fundação provê (doa, instala, capacita e dá suporte) alimentos para merenda escolar (pois o governo negligencia), tanques de purificação de água da chuva, Frangos para engorda (Pollos de engorde), além de donativos provindos da capital do país e de um projeto que está apenas começando (e explicaremos no próximo post), o de Granja Agroecológica.

Mas o melhor dos programas deles é que são feitos para dar autonomia e realmente desenvolver comunidades – o que significa que em troca do apoio exigem o compromisso das famílias e da junta comunitária em agir em prol dos filhos – e eles são bem caxias quanto a isso.

Elizabeth, antiga beneficiária do programa, hoje é desenvolvedora de comunidades.

Elizabeth, antiga beneficiária do programa, hoje é desenvolvedora de comunidades.

Por exemplo, na foto acima, dá para ver Elizabeth, uma das funcionárias, dialogando enquanto consulta no computador o acordo firmado entre fundação e pais/mães de família. Ela o estava lendo porque a fundação recebeu uma ligação dizendo que só estavam cozinhando uma refeição ao dia, em vez das duas que foram acordadas. Então os 3 funcionários da fundação foram intervir para ver o que estava acontecendo e dar o primeiro e último aviso de que devem cumprir o prometido ou infelizmente o suporte terá que ser impedido.

Pode parecer drástico, mas é uma maneira de cobrar responsabilidade e fazer de tudo para que a comunidade se desenvolva a ponto de não precisar mais da ajuda deles. Sabe como funciona isso da merenda escolar? A fundação envia enlatados, arroz etc numa medida que dura para o ano inteiro, calculado segundo o número de crianças daquela escola. A partir daí, é hora das mães dos alunos elaborarem uma escala porque as escolas não têm como pagar cozinheira, então as mães se revezam para ir cozinhar para seus filhos e os coleguinhas. Não é bacana?

Marta é uma das mães, que se revezam para cozinhar a merenda escolar.

Marta é uma das mães, que se revezam para cozinhar a merenda escolar.

Esse dia, a reunião com os pais e professora demorou umas 3 horas, onde os da fundação eram praticamente conciliadores (como dissemos acima, não é fácil).

Outro dia difícil foi o 8 de setembro: muito antes, a fundação recebeu uma solicitação de que a escola Rio Sábana em Sambú recebesse os 100 pintinhos de engorda. Para você entender como funciona: a fundação compra 100 pintinhos e cerca de 4 sacos de milho (o suficiente para toda a vida), os quais devem ser criados no galinheiro da escola, e quando estejam prontos para o abate, 25 são utilizados para a merenda escolar e os outros 75 devem ser vendidos, para que com o lucro da venda a própria comunidade possa comprar mais 100 franguinhos, criar, ficar com 25 e vender 75, enfim, um ciclo que os supre e os torna independentes neste quesito.

O barco foi pilotado por 4 horas pelo funcionário Dilpio, à direita, levando cem pintinhos e alimentos do projeto "Pollos de Engorde"

O barco foi pilotado por 4 horas pelo funcionário Dilpio, à direita, levando cem pintinhos e alimentos do projeto “Pollos de Engorde”

Mas depois de passarmos um dia inteiro para chegar, por terra, rio e mar em Sambú, tivemos uma surpresa negativa: o galinheiro não estava pronto! Wilmer e Gregório, da fundação, estavam chocados e chateados, pois ligaram antes para saber se estava tudo pronto. E do jeito que estava, pela metade, certamente os pintinhos morreriam de frio, ou seriam comidos por outros animais, ou mesmo roubados – e nessa conjuntura a fundação teria que desfazer o acordo e levar os pintinhos de volta. Gregório, triste, nos disse que estava chateado, mas ficava preocupado com as crianças, que eram elas que sairíam perdendo. Não é fofo?

Mas o que veio a seguir foi impressionante: o presidente da junta comunitária saiu dizendo que iria buscar 2 pais de família pra ajudar a terminar de construir, e veio foi praticamente a comunidade inteira! Todos trazendo sacos, ferramentas, arame…as índias foram logo cozinhar pro pessoal que estava ajudando na construção e em 3 horas tudo ficou finalizado. Olha abaixo a galeria mostrando o antes, o durante e o depois! Foi incrível!

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Vale ressaltar que os funcionários da fundação acumulam um monte de capacitações, para brindar atenção integral às crianças. São elas: desenvolvedores de comunidades, conduzir pick-up, conduzir carro, separar doações, tomar hemoglobina e pressão/peso/altura, planejamento, e a cada um é designada uma área do estado para atenderem.

Ainda por cima, toda sexta-feira eles se reúnem para uma “Planificação” do que será feito na semana seguinte e compartilham os progressos obtidos na atual semana.

No próximo post, você vai conhecer o projeto de granja orgânica e o que fizemos nas horas vagas na fazenda da fundação. Vem ver!!

Entenda a parceria do Bemtrilhado e Pró Niño de Darien.

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2 thoughts on “Veja o resultado de quando se trabalha com amor – Bem trilhado em: Heróis de Darién

  1. Andre Goulart diz:

    Acho que vocês deveriam dar mais atenção ao Brasil! Aqui há muitas pessoas precisando de ajuda também! Sei fica bonito nas rodinhas de amigos, dizer que foi na puta-que-pariu ajudar pessoas, no Facebook então nem se fala! Twitando direto do cú-do-mundo ajudando as pessoas necessitadas e coisa e tal…Mas, olhe no seu quintal primeiro cara-pálida!!!

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    • Luma Pinto diz:

      Oi, André, tudo bom?

      Tem uma frase bem linda que diz que “Se você quer ser global, comece por pintar a sua aldeia.” Concordo com ela. Por isso mesmo que o Bem Trilhado é a ponta do iceberg, a parte vista de um caminho que já incluía atitudes positivas, sociais desde sempre e por incentivo dos nossos pais e mães. Eu sou do interior da Bahia. Lá, já fui voluntária do GACC(Grupo de Apoio à Criança com Câncer), visitei asilos, visitava creches com a escola, doava roupas, brinquedos, cestas de Natal etc. Em Aracaju, segunda cidade onde morei, fiz trabalhos com asilos, APAE e contribuía parte do meu salário para Abrinq. Em Salvador, Edu fez Forró Solidário e doou todos os alimentos arrecadados para uma instituição local. Em Medellín, a 3ª cidade onde morei, eu e Edu fizemos voluntariado em uma escola-creche, doamos roupas, doamos livros. Este ano, quando eu ainda tinha emprego formal, contribuí com a Unicef no Brasil.

      Eu te devolvo uma pergunta: uma criança carente no Panamá, Colômbia ou Equador vale menos que uma criança carente no Brasil?

      Uma das propostas do Bem Trilhado é, mesmo que pouco, tentar conectar mais os países latinoamericanos, especialmente os da América do Sul – pois nós não somos só países vizinhos, somos países irmãos. Fomos igualmente invadidos pelos europeus. Fomos explorados e roubados, nossa população nativa dizimada. Entretanto, no Brasil infelizmente não parece que se dá bola para os vizinhos, irmãos. Quase não se dá valor a aprender Espanhol. Tirando Argentina, o jornal parece só falar dos países sulamericanos quando a notícia é ruim.

      Outro intuito do blog é conectar pessoas. Não é fazer pose de bonzinho, é compartilhar aprendizados e experiências – e nisso damos a sorte de conhecer um monte de gente bacana que está por aí fazendo algo parecido. Ontem, por exemplo, conversei por Skype com uma mulher incrível que descobriu o nosso blog por conta de um amigo. Descobrimos também que ela tem um projeto no Brasil que é focado na gentileza. Não é incrível?

      E como disse Edu, o nosso projeto começou fora do Brasil porque estamos voltando pra casa! É isso aí, estamos indo para casa por terra, devagarinho, aprendendo tudo que pudermos no caminho e deixando marcas positivas. Aliás, o fato de o Brasil ser o último é ainda melhor, porque quando chegarmos lá, estaremos com muito mais habilidades para realizar trabalhos cada vez melhores. Vamos chegar pelo Rio Grande do Sul, e daí vamos subindo por todos os estados do litoral, para chegar nas nossas cidades (Itabuna e Salvador), ambas no litoral. E terminaremos em Aracaju, onde eu vivi por 5 anos e também é um pedaço de mim. Me diz, isso não é pintar a minha aldeia?

      Agora eu vou voltar à sua crítica: “Vocês deveriam dar mais atenção ao Brasil”. Estamos dando, inclusive por isso o blog também está em Português, e se verificar nossa lista de postagens, já divulgamos e entramos em contato com muita gente do bem que desenvolve projetos no Brasil: Seja Semente, A menina que Doa Livros, o Carteiro que doou livros, Euzaria, Doe sentimentos, entre outros. A gente está construindo uma rede de pessoas que atuam localmente, para tentar, no que estiver a nosso alcance, expandir o poder deles de atuação, ou seja, de fazer o bem a quem necessita.

      Por fim, te confesso: apesar de ser um ataque, ter recebido seus dois comentários hoje foi muito bom, pois nos faz rever, repensar e ter ainda mais certeza de que estamos fazendo a coisa correta. Porém, te pergunto por uma curiosidade pessoal: você ao menos procurou pesquisar sobre a gente antes de julgar? E como conseguiu sentir ódio de pessoas que estão estendendo a mão a quem precisa?

      Estamos à disposição caso queira conversar, e convidamos você a acompanhar o blog, contar pros seus amigos, dar sugestões etc. E como Edu falou, se conhecer instituições na sua cidade que você queira que a gente passe no retorno ao Brasil, ficaremos super felizes com a indicação.

      Abraço, Luma.

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